SIDEBAR
»
S
I
D
E
B
A
R
«
O NEOCLÁSSICO NO BRASIL
julho 31st, 2018 by Sardinha

PERÍODO NEOCLÁSSICO BRASILEIRO –  PARTE I

Dias depois de desembarcar na Bahia, em novembro de 1808, D.João VI abriu os portos do Brasil “ãs nações amigas”. Ao mesmo tempo parecem ter-se aberto também as mentes da corte para as potencialidades da colônia. Ao transformar o Brasil em Reino Unido de Portugal, D. João decidiu tornar o Rio de Janeiro a capital tropical do império luso. Para isso, fez desembarcar na cidade a missão artística francesa. Embora a discórdia interna e a inveja externa tenham sido marcas primordiais da estada da missão no Brasil, seu legado artístico e cultural foi monumental e duradouro. Com a missão desembarcou no Brasil o pintor Debret, cuja obra se tornaria a mais perfeita tradução do Brasil colonial e formaria a imagem que todos os brasileiros  letrados fazem desse período. A obra de Debret se confunde a de Rugendas, o pintor alemão que chegou ao Brasil pouco depois.

A missão francesa era formada por pintores, escultores e gravadores que haviam caído em desgraça na França após a derrota de Napoleão. Esses homens, que tinham ajudado a criar os “símbolos” e a estética da “nova” França, seriam responsáveis, entre outros tantas obras, pela fundação, no Rio de Janeiro, da Academia e Escola Real de Artes, que mais tarde se transformaria na Academia Imperial de Belas-Artes( e, após a proclamação da República, viria a ser a Escola Nacional de Belas-Artes). DURANTE MAIS DE UM SÉCULO, A ACADEMIA DITOU AS NORMAS DA PRODUÇÃO ARTÍSTICA E, ESPECIALMENTE NA SEGUNDA METADADE DO REINADO DE D.Pedro II, entre 1855 e 1885, se envolveria no processo que já foi chamado de “monumentalização” da história do Brasil.

Iniciou-se um período em que, pela visão de um nacionalismo conservador e exuberante, liderado pelo próprio imperador, toda a história do Brasil foi “redescoberta” e relida por uma visão “brasileira”, embora ainda reverente à herança lusitana. Os frutos historiográficos mais notáveis produzidos nesse período são os estudos eruditos publicados na revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e na História Geral do Brasil, de Varnhagen. Tal projeto encontraria seu “braço pictórico” na obra de Pedro Américo, Vitor Meireles, Almeida Júnior, Rodolfo Amoêdo, Henrique Bernadelli, José Zeferino da Costa e Antônio Parreiras – pintores que, financiados por D.Pedro II, se encarregaram de produzir novas imagens do velho Brasil.

Polêmica desde o dia de sua fundação , a Academia Imperial de Belas Artes já foi acusada de ter “destruído” o que de mais iventivo havia na arte brasileira: o Barroco, “espécie de espírito genético da nossa estética”. Mas o barroco era basicamente medieval e, de certa forma, a vinda da missão “civilizatória” francesa significaria uma modernização nos padrões artísticos brasileiros de então. A academia se tornaria conservadora dos padrões neoclássicos por mais de 50 anos, especialmente durante o reinado de D.Pedro II. Junto com as gravuras de Debret, são as obras produzidas pela academia – principalmente os quadros de Pedro Américo e de Vítor Meireles – que ilustram os livros didáticos de história do Brasil. As imagens produzidas pelos “invasores” franceses  e holandeses em geral são desprezadas.

É próprio da imaginação histórica edificar mitos que, muitas vezes, ajudam a compreender antes do tempo que os forjou do que o universo remoto para o qual foram inventados.  Quando fabricaram as imagens pretendiam lançar as bases de um conceito de nacionalidade e estabelecer  seu “domínio” também no campo do imaginário. Assim, o classicismo da academia não era só um estilo artístico mas,  representava e se punha a serviço de  “um conjunto de valores sociais e políticos”, no seu esforço de criar a nova imagem da nação.

 

Extraído do  livro História do Brasil  – Zero Hora/RBS  jornal – Coordenação Eduardo Bueno – Adams Design

                 PERÍODO NEOCLÁSSICO BRASILEIRO –  PARTE II

Após a proclamação da República,  a Academia Imperial de Belas-Artes não apenas mudou de nome: mudou de direção e baniu os artistas ligados ao antigo regime. Mas como a República foi incapaz de produzir uma  estética própria, nem tentou redefinir politicamente o uso da estética anterior, a pintura histórica continuou sendo feita pelos moldes anteriores – eventualmente até pelos mesmos pintores ( Pedro Américo,  por exemplo, pintou Tiradentes, logo elevado à categoria de “símbolo” do novo regime, em 1894). Não só a estética era a mesma; seus fins permaneceram inalterados.

Pouco importa que a realidade tenha sido bem distinta da imagem. Em 1895, fundado o Museu Paulista, dirigido por Hermann von Ihering, iniciou-se o projeto de fabricação do mito do bandeirante impávido.


Leave a Reply

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>
SIDEBAR
»
S
I
D
E
B
A
R
«
»  Substance: WordPress   »  Style: Ahren Ahimsa